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JULHO LARANJA – ALERTA SOBRE A PREVENÇÃO ORTODÔNTICA

27 jul 2020 • por Katy Cardoso • 0 Comentários

Por Drª Flávia Lima Ortodontista

Você já ouviu aquela expressão: “perdeu o bonde”? Esta é uma forma popular de dizer que a pessoa perdeu o tempo de realizar algo esperado. Vários fatores podem contribuir para deixar aquele momento importante passar: às vezes falta de conhecimento, excesso de autoconfiança, ou até mesmo procrastinação, mas independente do motivo, ficar sabendo que um evento ou uma situação importante não volta atrás é extremamente frustrante. Você concorda?

Os problemas ortodônticos podem se apresentar muito cedo durante o desenvolvimento do indivíduo. Eles podem ser identificados e tratados de forma simples caso sejam diagnosticados pelo olhar atento do profissional treinado para isso. Por muito tempo se sugeriu que o acompanhamento ortodôntico começasse aos 12 anos de idade, quando a troca de dentes já estava se encerrando; com isso se perdia a “janela de oportunidade” para ações simples e resolutivas. Hoje, estabelecemos a idade de 6 anos para começar as consultas periódicas.

Pensando em sensibilizar e informar a população sobre a importância do acompanhamento ortodôntico precoce, professoras da USP criaram a campanha Julho Laranja. O mês de julho foi escolhido por ser época de férias escolares o que seria um bom momento para os cuidadores levarem as crianças para as consultas de saúde. Essa ação foi tão importante que até deu origem a um projeto de lei que preconiza consulta com ortodontista pra pacientes a partir de 6 anos na rede pública.

E quais seriam as situações apresentadas que necessitariam de tratamento precoce?

Com dentes de leite (dentição decídua) e dentes de leite e permanentes (dentição mista) o odontopediatra e o ortodontista vão avaliar situações como:

  • danos causados por hábitos deletérios (como chupar dedo e uso da chupeta e mamadeira);
  • perca precoce de dentes decíduos;
  • padrão respiratório predominantemente bucal;
  • presença de mordias cruzadas anteriores e posteriores;
  • presença de mordida aberta;
  • ausência de dentes;
  • dentes supranumerários;
  • alteração na sequência de erupção;
  • falta de espaço para dentes permanentes;
  • padrão de desenvolvimento facial onde as bases ósseas estejam em desequilíbrio;
  • padrão alterado de fala e deglutição (muitas vezes somos nós que identificamos problemas que serão tratados por fonoaudióloga).

A partir dos 6 anos, através da análise da oclusão e da face podemos estabelecer tratamentos ortopédicos para contribuir para o equilíbrio do desenvolvimento das bases ósseas.

Os tratamentos propostos nessa fase não têm a intenção de alinhar e nivelar os dentes, de deixar tudo “perfeitinho”. O objetivo principal é a intervenção pontual nos problemas apresentados; seriam duas fases de tratamento; uma interceptativa e outra corretiva. A maioria dos tratamentos propostos têm bastante previsibilidade. Os que envolvem questões genéticas, como o tamanho da maxila e da mandíbula podem não atingir totalmente o objetivo até o fim do crescimento da criança. Como exemplo temos aquelas crianças que apresentam queixo (mandíbula) muito grande ou muito pequeno, que têm familiares próximos com problemas similares, essas podem precisar de cuidados especiais mesmo após a ortodontia interceptativa.

Corrigidos os problemas apresentados espera-se a maturidade da oclusão e se inicia a ortodontia corretiva, esta sim objetiva o alinhamento e nivelamento dentário, buscando estabelecer parâmetros para uma oclusão funcional e harmônica. (Tema muito rico para um próximo texto)

Mas calma, papai e mamãe! Não é porque seu filho está fazendo consultas com o ortodontista que ele já irá usar aparelho! Cada problema apresentado tem a época certa para tratar. Começar muito cedo a tratar um problema que pode esperar é gasto de energia e colaboração da criança. Além disso, um tratamento mal indicado pode causar até danos aos dentes permanentes em formação. Diagnosticar, esclarecer plano de tratamento, informar, esperar o tempo certo para agir é o mais prudente a se fazer.

O lema da campanha Julho Laranja é “cuidados precoces, sorrisos para toda vida” e por experiência própria vejo que é bem verdade! Por atender muitas crianças desde que me formei há 15 anos atrás, mesmo não sendo odontopediatra, tive a oportunidade de ajudar muitos sorrisos com tratamentos precoces e eficientes. Agora não tem motivo para você “perder o bonde”, perder a janela de oportunidade para tratar! Duas consultas por ano a partir dos 6 com o ortodontista de sua confiança será um excelente investimento pra o sorriso do seu filho.

Por Drª Flávia Lima

Aproveito a oportunidade para dizer que dos meus dois filhos você sempre cuidou muito bem. Roberta, hoje com 15 anos, já está com o sorriso lindo (usou aparelho com Drª Flávia Lima) e José, com 8 anos, está usando aparelho desde já, também com esta profissional que admiro e confio. Obrigada por compartilhar conosco sobre o Julho Laranja. É de grande valia esta causa. Beijos Dra Linda!

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