Gente que Brilha

Mestre do restauro, José Dirson Argolo, dedica-se há 40 anos à preservação do patrimônio baiano.

04 fev 2020 • por Katy Cardoso • 0 Comentários

Jaguaquarense Fazendo História – repost do atarde.uol

Eu e PASCOM (Pastoral da comunicação), tivemos o prazer de conversar com José Dirson, em Jaguaquara, na casa da sua irmã que fica no bairro da Muritiba. Ele sempre educado e cortês, nos recebeu com muito carinho e contou um pouco de sua trajetória. José Dirson, esteve na sua cidade natal em maio de 2019, durante a festa de Maria Auxiliadora, quando entregou a imagem da padroeira lindamente restaurada pela suas mãos, presenteando a Paróquia, onde recebeu homenagens e aplausos de toda comunidade. Ele é da nossa terra! Ele faz a diferença!

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Com uma luva azul e um cotonete gigante de madeira nas mãos, ele explica que essa é a parte mais complicada do processo. Complicada, não. Irreversível. Se um restaurador escolhe o produto químico errado para limpar a tela, já era. Não tem volta. Um trabalho de séculos pode desaparecer de repente, que as obras, assim como a vida, são passáveis e frágeis. A etapa da pintura, ao contrário, ainda dá para corrigir.

No andar superior do seu ateliê, no Garcia, José Dirson Argolo debruça-se sobre uma tela do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, maltratada pelo tempo. Há quatro décadas, ele se ocupa de dar novo viço ao que ficou gasto. “É toda uma vida dedicada à preservação do patrimônio”, foi a primeira frase que disse, como se precisasse de apresentação. 

A igreja da Graça, uma das mais antigas do país, está sendo restaurada pelo Studio Argolo

“Quase toda igreja de Salvador tem o dedo dele. Ou toda ela ou parcialmente, ou um pequeno elemento”, atalha Waldemar Silvestre Castro, que espiava a conversa. É o seu sócio no Studio Argolo, fundado em 1983. Católico por herança de família, José Dirson ri, como se a modéstia o proibisse de concordar discursivamente. 

Foram de fato tantas que já perdeu a conta – logo ele, um homem de memória prodigiosa. A mais recente delas é a Igreja Nossa Senhora da Graça, uma das mais antigas do Brasil, onde estão os restos mortais de Catarina Paraguaçu. A reforma já dura quatro anos, período em que a igreja ficou fechada. As obras devem continuar nos primeiros meses de 2020.

Mas se é para falar de igreja, sua memória mais preciosa vem dali de perto, do Politeama. No início da década de 1990, José Dirson restaurou a Igreja de São Raimundo. O financiamento não veio de dinheiro público nem de entidade nenhuma. Foram os paroquianos que se juntaram para angariar recursos. “Era muito emocionante ver pessoas doando alianças de casamento, anéis de formatura, fazendo doces para vender nas feiras, rifas”. 

A igreja estava toda branca. Nos altares laterais, as pinturas ficavam debaixo de oito camadas de tinta. No altar-mor, de 14. “Descobrimos toda a pintura do século 18 intacta. As irmãs vibravam a cada descoberta”, lembra. 

Ver o branco transformar-se em arte, feito uma viagem mágica no tempo, é coisa com a qual ele já está acostumado. Foi assim também no Palácio do Rio Branco, este que está para virar hotel. José Dirson é terminantemente contra, diga-se de passagem.  

Pensa que um lugar que abrigou tanta gente importante tem que continuar público, e nem sabe se o centro da cidade precisa de tanto hotel. “Só acredito na revitalização do Centro Histórico de Salvador se virar também residência da classe média, de artistas, de funcionários públicos. Para que haja vida, entendeu? Se nós baianos temos medo de andar por ali de noite, porque fica tudo vazio, imagine turista”. 

Pois. Mas voltando às pinturas cobertas, elas apareceram para ele no período de restauro do Palácio, em 1984. Estavam escondidas embaixo de 10, 12 camadas de tinta, que ele e sua equipe desvendavam com bisturis cirúrgicos.  

E que história doida é essa de o povo ir cobrindo tudo assim, sem a menor cerimônia nem consideração com os que vieram antes? Ele explica que foi uma questão de ignorância, sim, mas principalmente de mudança de gosto, somada aos estragos do tempo. “Na época em que essas igrejas foram construídas, imperava o barroco. Quando veio o neoclássico, já era um estilo mais simples. E aí vinha um padre e pintava. No Palácio Rio Branco, a mesma coisa. Provavelmente, foram os próprios governadores que mandaram pintar.  Chegou um período em que alguém deve ter achado aquela sala pompeana com aquele fundo vermelho muito agressivo”.

Do bronze à fibra de vidro

Debaixo de mais camadas de tinta – “quase 50” – José Dirson recuperou as expressões originais dos Caboclos, heróis da Independência da Bahia. “Antes, pareciam uns monstros”.  Isso foi em 1998. Desde então, cuida para que desfilem perfeitos no 2 de julho.  

O monumento portentoso batizado com a data, no Campo Grande, também foi recentemente restaurado por ele e sua equipe. A entrega aconteceu em setembro do ano passado. Para que estivesse como antes, foi preciso repor cerca de 250 quilos de bronze, que haviam sido roubados. “Eles vendem por cinco, dez reais o quilo, quando custa mais de R$ 100”. 

Veja post completo no link abaixo:

http://atarde.uol.com.br/muito/noticias/2114629-mestre-do-restauro-jose-dirson-argolo-dedicase-ha-40-anos-a-preservacao-do-patrimonio-baiano

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